Um dia de Setembro.
Preparada pra escrever, depois de um mês talvez eu não esteja. Todavia eu não estava preparada pra perder e perdi, sendo assim, preciso escrever, pois é assim que eu digo. É isso que eu sou. Escrevendo eu costumava dizer que o Amor é mais forte do que a Morte e ainda penso assim, pois é de fato Amor que me fez e ainda me faz sentir a dor terrível da perda e é esse mesmo Amor que me faz prosseguir respirando e sufocando uma morte constante de todos os dias, matando as lembranças na minha mente e no meu coração.
Perder alguém que se ama e como cair em um poço escuro e profundo de onde preciso sair para respirar erguendo os braços forçosamente e agarrando as paredes de pedra e me impulsionando em direção a luz. Em alguns momentos a dor faz com que eu fraqueje e que sinta uma grande vontade de permanecer no fundo deste poço completando o com minhas lagrima e ecoando lamentos em sua profundidade. Novamente o amor me impulsiona e respirando profundamente decido tentar outra vez.
Assim é preciso sufocar a lembrança da minha vó sentada na varanda em sua cadeira de balanço amarela por vezes sorrindo, cochilando ou apenas sentada, e por fim destituída de vida. sei que há outras, mais bonitas como quando íamos a Recife de ônibus parando nos restaurantes das estradas ou quando simplesmente sentávamos nos sofás, eu fecho os olhos e a vejo sentada sobre um rapa coco onde um tabuleiro e uma panela de pressão aparam o coco pra fazer ora o peixe ora o cuscuz. Se estou em silêncio escuto em minha mente seus pés arrastando os chinelos na direção da cozinha para beber água ou se esgueirando pelo quarto de costura para procurar suas fraldas. e há vezes que entro em seu quarto sem propósito algum e sem saber o que fazer eu saio como se estivesse procurando algo que penso não saber, mas que no intimo eu sei que desejo apenas encontrá-la deitadinha em sua cama onde eu me sentaria e diria "vó" e dai por diante eu contaria uma acontecido sem tanta importância, pediria uma opinião ou faria uma pergunta qualquer.
Se de algum modo essas memórias me confortam por outro lado me torturam e me angustiam e por diversas vezes me tiram a paz e o sono. Bem como me inquietam questões tolas sobre onde e como ela está. Onde ela está? Em nós, família e como está? definitivamente não sei dizer porque desejo sinceramente que não esteja sentindo a tristeza e o pesar que sinto agora.
Queria encontrá-la no lugar onde a deixei e traze-la para casa, mas graças a ela que me ensinou a ler eu aprendi que estamos separadas agora, mas o Amor que nós uniu nesta vida a morte não sufocou. Ele está aqui em meu coração que dói e chora agora, e estará para sempre pois levarei a diante para que quando por fim nós encontrarmos ele permaneça infinitamente e mais.
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Um comentário:
Olá, obrigada pela visita ao meu blog. Estou voltando após um período afastada. Como você, também adoro seriados. Volte sempre que puder. Nane Cabral WWW.vovqueensinou.blogspot.com.br
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